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· Por Raiz Primal · Atualizado em

Como é feito o Beef Jerky: do corte à embalagem

Como é feito Beef Jerky: escolha do corte, fatiamento, tempero, etapa térmica, secagem e embalagem. O que cada etapa muda no snack que chega até você.

Ilustração editorial de corte magro e fatias de carne bovina em bancada de preparo.

O corte e o fatiamento são etapas iniciais da produção.

O Beef Jerky é feito em seis etapas: escolha de um corte magro, limpeza da peça, fatiamento, tempero, uma etapa de calor controlado para reduzir micro-organismos patogênicos e uma secagem longa que retira a maior parte da água. Depois, as tiras são conferidas e embaladas. Nenhuma etapa é complicada sozinha. O que separa um jerky bom de uma tira dura e sem graça é o controle de cada uma: espessura, sal, temperatura e tempo.

1. O corte: carne magra, peça inteira

Jerky tradicional é feito de músculo inteiro, cortes da parte traseira do boi com pouca gordura entremeada. Nos Estados Unidos, os guias de extensão universitária citam cortes do round, a região que no Brasil inclui patinho, coxão mole, coxão duro e lagarto [1]. A escolha do corte influencia a fibra, a maciez e o rendimento.

Gordura é o primeiro problema. Ela não seca como a carne, pode rançar durante o armazenamento e deixa gosto estranho [1]. Por isso a peça é aparada: sai a capa de gordura, saem os nervos e as membranas mais grossas. O que sobra é carne vermelha, firme, quase sem branco.

Essa limpeza é uma das razões do custo do jerky, porque cada quilo de peça comprada perde parte do peso antes mesmo de ir para o fatiador. Explicamos essa conta no guia sobre por que o Beef Jerky custa mais que carne fresca.

2. O fatiamento: espessura e direção

Aqui se decide boa parte da textura. Duas variáveis importam.

Espessura. Fatias finas secam mais rápido e por igual. Fatias grossas demoram mais e podem ficar com o miolo mais úmido que a superfície. Para a produção, o importante é a regularidade: tiras parecidas secam no mesmo ritmo.

Direção em relação à fibra. Cortar no sentido da fibra produz tiras longas, que puxam em fios e pedem mastigação. Cortar contra a fibra, em ângulo reto com o músculo, encurta as fibras e deixa o jerky mais macio e quebradiço [1]. Nenhum dos dois está errado. É uma escolha de estilo, que o guia sobre a textura do Beef Jerky detalha.

Para fatiar com regularidade, a carne costuma estar bem fria, às vezes parcialmente congelada. Fria, ela fica firme e não escorrega na lâmina.

Fatias de carne bovina com espessura regular em tábua de preparo.

Ilustração editorial de fatiamento regular da carne.

3. O tempero

O tempero do jerky cuida do sabor e também ajuda na conservação.

O sal tempera e também ajuda a retirar água da carne e a deixar menos água disponível para micro-organismos. Pimenta-do-reino, alho e outras especiarias completam o perfil. Algumas receitas usam marinada líquida, com molhos e açúcar. Outras usam tempero seco, esfregado nas fatias. O que vai em cada produto está na lista de ingredientes do rótulo, em ordem decrescente de quantidade.

A carne costuma descansar temperada por algumas horas, refrigerada, para o sal penetrar.

4. O calor controlado antes da secagem

É a etapa menos visível para quem compra e a mais importante para a segurança.

Secar carne não é o mesmo que deixá-la segura. O Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar dos Estados Unidos (FSIS) explica que um desidratador comum pode não aquecer a carne o suficiente para eliminar bactérias como Salmonella e E. coli, e que as bactérias que sobrevivem ao início da secagem ficam mais resistentes ao calor quando a carne já está seca [2]. Por isso a orientação para quem faz em casa é aquecer a carne a 71 °C antes de desidratar.

Na produção comercial, o controle deve considerar o processo inteiro. Tratamento térmico, umidade, secagem e embalagem precisam funcionar juntos, com condições definidas e validadas para o produto. No Brasil, a fabricação de produtos de origem animal é fiscalizada pelos serviços de inspeção (federal, estadual ou municipal), sob as regras do RIISPOA [3].

Algumas marcas fazem essa etapa num defumador, e o jerky ganha aroma de fumaça. Outras usam fornos ou estufas sem fumaça. Nem todo Beef Jerky é defumado.

5. A secagem

Depois do calor, as tiras secam por horas, em temperatura moderada e com circulação de ar, até perder boa parte da água. É a etapa mais longa.

O ponto final não se mede só no olho. No teste caseiro clássico, a tira pronta dobra e racha sem partir ao meio. Na produção, um dos critérios técnicos é a atividade de água, uma medida da água disponível no alimento. Ela é avaliada com equipamento específico como parte dos controles que confirmam o atendimento ao processo definido.

Secar demais deixa a tira quebradiça e dura. Secar de menos compromete a conservação. Por isso o tempo de secagem varia com a espessura, o corte e a umidade do dia, e não existe um número único que sirva para todo lote.

Ilustração de tiras de carne distribuídas em bandejas de equipamento de secagem.

Bandejas espaçadas ilustram uma etapa de secagem controlada.

6. Conferência e embalagem

As tiras prontas esfriam e são conferidas: tamanho, cor, textura, pedaços fora do padrão. Depois são pesadas e embaladas.

A embalagem faz parte do processo. Ela protege o produto da umidade do ar, que amoleceria o jerky, e do oxigênio, que acelera a oxidação da gordura residual. Muitos fabricantes usam embalagens com barreira, absorvedores de oxigênio ou vácuo. A orientação de conservação no rótulo, para o pacote fechado e depois de aberto, é definida a partir desse conjunto de processo e embalagem.

Processo de fábrica e receita caseira são assuntos diferentes

Quem pesquisa "como é feito beef jerky" muitas vezes encontra receitas de forno e air fryer. São outra coisa. Uma receita caseira tem condições próprias de preparo, embalagem e armazenamento. A produção comercial precisa definir segurança, padrão e conservação para o produto e a cadeia de distribuição em que ele será vendido. Por isso existem a etapa térmica controlada, a medição da secagem, a embalagem com barreira e a fiscalização.

O que você pode conferir no pacote

  • Selo de inspeção (SIF, SIE ou SIM), que indica qual serviço fiscaliza o estabelecimento.
  • Lista de ingredientes, para saber o que entrou no tempero.
  • Orientação de conservação, antes e depois de abrir.
  • Peso líquido e validade.

O Beef Jerky da Raiz Primal

O nosso é carne bovina em fatias, com preparo artesanal e desidratação. A proposta é que a carne apareça: fibra, sal e tempo. Ingredientes, tabela nutricional, validade e conservação estão no rótulo. Se você ainda está conhecendo o snack, comece pelo guia Beef Jerky: o que é, como é feito e como comer.

Conheça o Beef Jerky da Raiz Primal

Perguntas frequentes

Como é feito Beef Jerky?

A carne magra é aparada, fatiada, temperada, passa por uma etapa de calor controlado para reduzir micro-organismos patogênicos e depois seca por horas até perder boa parte da água. Por fim, é conferida e embalada.

Que corte de carne pode ser usado para fazer Beef Jerky?

Cortes magros de músculo inteiro, geralmente da parte traseira do boi, como patinho, coxão mole, coxão duro e lagarto. O importante é ter pouca gordura entremeada.

O que muda entre fatiar, temperar e desidratar a carne?

O fatiamento define a mordida, o tempero define o sabor e ajuda na conservação, e a secagem retira a água e define a firmeza final. A etapa de calor, antes da secagem, é a principal barreira contra bactérias.

Todo Beef Jerky é defumado?

Não. Alguns fabricantes usam defumador e outros usam fornos ou estufas sem fumaça. A embalagem ou a descrição do produto costuma informar.

Como a embalagem faz parte do processo?

Ela protege o jerky da umidade e do oxigênio, que mudariam a textura e o sabor com o tempo. As orientações de conservação do rótulo dependem dessa embalagem.

Leia também

Fontes

  1. North Dakota State University Extension. "Jerky Making: Producing a Traditional Food With Modern Processes". https://www.ndsu.edu/agriculture/extension/publications/jerky-making-producing-traditional-food-modern-processes
  2. USDA Food Safety and Inspection Service. "Jerky and Food Safety". https://www.fsis.usda.gov/food-safety/safe-food-handling-and-preparation/meat-fish/jerky
  3. Brasil. Decreto nº 9.013, de 29 de março de 2017 (RIISPOA). https://www.presidencia.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/decreto/d9013.htm

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